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Nos últimos tempos tem-se debatido bastante a questão das percentagens dos passes dos jogadores que não pertencem ao clube onde estes jogam. A problemática dos fundos de investimento nos clubes portugueses não é propriamente nova, mas está a ressurgir com alguns negócios recentes. Até que ponto a alienação dos passes dos jogadores influencia as suas possíveis transferências?
Grande parte do dinheiro investido pelos clubes portugueses é resultante de empréstimos das instituições bancárias. O problema é que o acesso ao crédito bancário é cada vez mais difícil e o preço a pagar por esses empréstimos é cada vez maior. É neste contexto que entram os fundos de investimento: na prática, estes fundos colocam dinheiro nos clubes e partilham o risco. Normalmente, estas instituições baseiam-se nos números e no histórico e é por isso que se encontram tão activas em Portugal. Os grandes clubes portugueses conseguem gerar mais-valias com os seus jogadores regularmente, o que facilita a vontade de participar nos negócios dos jogadores.
O clube entra com uma parte do dinheiro e fica com uma percentagem do passe, enquanto o fundo entra com o restante e fica com a percentagem remanescente. É comum estabelecerem-se algumas cláusulas, como a venda do jogador em questão a partir de um determinado valor. Os clubes portugueses mantêm-se competitivos nas provas europeias devido à sua capacidade de valorizar jogadores e vendê-los por montantes altos. Só que este contexto é extremamente frágil. Quando estas premissas falham, os clubes ficam cada vez mais nas mãos dos credores.
A publicação das percentagens dos passes que estão na posse do Sporting é reveladora. As recentes notícias dos negócios de Marcos Rojo e Ola John acentuam cada vez mais a questão, nunca esquecendo a venda de Hulk. A CMVM já enviou um pedido de esclarecimento ao FC Porto, relativamente ao negócio de Hulk com o Zenit, e ao Benfica, pela venda de Witsel ao clube russo. Estas questões deveriam estar completamente transparentes devido ao equilíbrio frágil em que se encontram os grandes clubes portugueses.
Isto porque, os clubes portugueses ficam dependentes da entrada de capital destes fundos de investimento que ajudam a colocar bons jogadores no campeonato português, mas retiram ao futebol luso a independência desejada. Outro ponto fundamental: por que não apostar mais na formação e diminuir a necessidade de aliança com fundos de investimento? Fica a questão...
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