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Mundial-2002: Não houve apenas um culpado no nosso desaire - Rui Costa

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O ex-futebolista Rui Costa considerou, em entrevista à agência Lusa, que não houve apenas um culpado na má campanha portuguesa no Mundial de 2002, uma prova que “começou mal e acabou pior”.
Mundial-2002: Não houve apenas um culpado no nosso desaire - Rui Costa

“Quando acontece um desaire daqueles, considero que não há apenas um culpado. Quando as coisas correm tão mal como em 2002, não pode ser apenas por responsabilidade de uma das partes. Desde a estrutura, selecionador, jogadores, somos todos responsáveis, assim como o fomos pelos êxitos. Não se pode atribuir as culpas só ao selecionador, os jogadores têm a sua quota-parte, a estrutura também”, disse.

Para Rui Costa, a presença portuguesa na Coreia do Sul e no Japão, “estranhamente falhou”, porque era uma geração que estava numa fase em que “quase dava a certeza e a sensação positiva de ter tudo para fazer um Mundial de grande nível”.

“Vínhamos de um Europeu excelente, em 2000. Era uma seleção que já vinha há muitos anos junta, com alguma experiência de competições como aquela. É verdade que era o primeiro Mundial, mas já tínhamos feito dois europeus”, recorda, lamentando: “De facto, o Mundial começou mal e acabou pior”.

O atual administrador da SAD do Benfica disse que foi toda a comitiva a falhar em 2002, pois não conseguiram fazer o que esperavam “e, sobretudo, aquilo que todo o país esperava”.

“Havia uma grande esperança naquela altura nas nossas potencialidades e naquilo que aquela seleção podia fazer. Infelizmente, não foi assim, acabando depois por não ser um exemplo a seguir para o futuro”, afirmou.

Rui Costa lembrou ainda a escolha de Macau para local do estágio antes da prova, que, para si e para muitos outros elementos da comitiva, “não foi a mais indicada”, considerando que “a verdade é que as coisas não começaram bem já desde Macau, porque era praticamente impossível treinar num clima onde ao fim de 10 minutos os jogadores estavam mortos”.

“Os treinos eram reduzidos e com pouca intensidade e acabámos por pagar um pouco isso quando fomos ao Mundial, em termos físicos”, disse.

Rui Costa lembrou que, quando chegaram ao Mundial, o clima era “completamente diferente”, e que, “se o clima de Macau fosse igual ao da Coreia, justificava-se” ter feito lá o estágio, “mas também não era verdade”.

“Creio que as coisas começaram mal logo aí. Depois foram uma série de situações que não nos permitiram desempenhar da melhor forma o nosso trabalho. E nós não soubemos dar a volta à situação”, afiançou.

Sobre a derrota na estreia, frente aos Estados Unidos (3-2), Rui Costa considera que estar a perder por 3-0 aos 36 minutos “era uma coisa impensável para estreia no Mundial daquela seleção contra uma equipa que, com todo o respeito, não tinha potencial para chegar ao intervalo com aquele resultado (3-1)”.

“Uma derrota no primeiro jogo, ainda para mais da forma como foi, acabou por abalar bastante a seleção. Tivemos uma boa reação contra a Polónia (4-0). Contra a Coreia (0-1), que jogava em casa, servia-nos o empate e tudo fizemos para que isso acontecesse. Era um Mundial que estava escrito para tudo acontecer negativamente. Falhámos muitos golos nesse jogo e acabámos por vir para casa muito mais cedo do que esperávamos”, afirmou.

Segundo o ex-médio, “a desilusão era muito grande” no final do encontro com a Coreia do Sul, pois, “quando se entra numa competição deste género, ambiciona-se o máximo, independentemente de sermos favoritos ou não”.

“Estávamos todos num momento, em termos individuais e coletivos, que nos fazia acreditar que podíamos ter muito sucesso. Quando nos deparamos com o que aconteceu, acabou por haver uma grande frustração. Portanto, há uma descarga muito grande. Passámos até por indisciplinados, que é um rótulo que não aceito muito”, referiu.

Rui Costa admite que havia um mau estar na seleção, como é normal quando se está a perder, “mas era um mau estar coletivo”, porque “ninguém se dava mal”, garantindo que “o ambiente não era mau”.

“Não é uma questão de se dar mal, é do estado de espírito não ser o mesmo que houve em 2000 e 2004”, reforçou.

Rui Costa negou ainda que tenha equacionado deixar a seleção caso António Oliveira continuasse à frente da equipa após o Mundial2002, afiançando que nunca nenhum treinador teve problemas consigo “por jogar um jogo e não jogar outro”.

“Nenhum jogador gosta de ser preterido em qualquer tipo de jogo. É evidente que não fiquei satisfeito quando a seguir ao jogo com os Estados Unidos acabei por pagar eu as favas, mas não tenho nenhum problema com o selecionador, nunca disse que deixava a seleção se ele continuasse e mantive-me pronto para sempre que fosse chamado. No jogo contra a Polónia, entrei e acabei por fazer golo. Também se chegou a dizer que eu é que fazia a seleção e eu respondi na altura: ‘É estranho que eu é que faço a seleção e eu é que fui para o banco’”, lembrou.

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