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Vitória de Guimarães recorre do castigo aplicado no âmbito do ‘caso Marega’

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O Vitória de Guimarães anunciou hoje que vai recorrer do castigo de três jogos à porta fechada imposto pela Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD), devido aos insultos racistas dirigidos ao futebolista Marega.
Vitória de Guimarães recorre do castigo aplicado no âmbito do ‘caso Marega’

A entidade adiantou hoje à Lusa que um despacho "exarado" na terça-feira, com conhecimento dos minhotos, puniu o clube da I Liga com uma "sanção acessória de realização de três espetáculos desportivos à porta fechada, com início do cumprimento da sanção após regresso do público aos espetáculos desportivos", mas o Vitória, em comunicado, criticou a forma como a APCVD conduziu o processo e anunciou o recurso.

"Não podendo deixar de registar que esta decisão tenha sido publicamente pré-anunciada pelo Presidente da APCVD, Rodrigo Cavaleiro, ao arrepio de todas as formalidades processuais, o Vitória Sport Clube informa que vai apresentar o competente recurso", lê-se na nota publicada pelos vimaranenses.

Esse pré-anúncio da decisão refere-se às declarações proferidas por Rodrigo Cavaleiro à Lusa, em 05 de outubro, nas quais sugeriu "a possibilidade de jogos à porta fechada, também consoante as diversas infrações" e "algo na ordem dos milhares de euros" de coima - o valor aplicado ao emblema de Guimarães é de 55 mil euros.

O Vitória frisou ainda que a APCVD não impôs uma sanção acessória de três jogos à porta fechada, mas três sanções acessórias de um jogo à porta fechada.

Uma delas refere-se à "violação do dever de garantir o cumprimento das regras e condições de acesso e permanência de espetadores no recinto desportivo", alega o emblema vimaranense.

As sanções responsáveis pelos outros dois jogos à porta fechada resultam de "apoio a Grupo Organizado de Adeptos (GOA) não registado" e da "violação do dever de zelar pelo comportamento dos GOA", lê-se ainda no comunicado vitoriano.

O caso relativo a estas sanções ocorreu há oito meses, no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, durante o jogo de futebol entre o Vitória de Guimarães e o FC Porto, que os ‘dragões' venceram por 2-1.

Por volta dos 70 minutos, pouco depois de ter marcado o golo da vitória ‘azul e branca', Marega, que já alinhou nos vimaranenses, pediu para ser substituído e acabou mesmo por abandonar o relvado, agastado com cânticos de natureza racista que lhe estavam a ser dirigidos por adeptos do Vitória, com sons a imitar macacos.

O caso também originou uma investigação da Polícia de Segurança Pública (PSP) às câmaras da videovigilância do estádio vimaranense, com a colaboração do Vitória, de forma a serem identificados os eventuais autores dos insultos racistas e um processo-crime do Ministério Público (MP) "por atos de discriminação racial".

Três adeptos do emblema vimaranense estão a ser julgados no Tribunal de Guimarães, pelo crime de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos, desde 25 de setembro.

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