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O Haiti qualificou-se para o Mundial2026, mas existem vários contratempos na história do futebol no país das Caraíbas.

Haiti: A história de superação que culminou na presença no Mundial2026
Haiti: A história de superação que culminou na presença no Mundial2026

O Haiti qualificou-se pela segunda vez na história para a fase final do Mundial, ao conquistar o primeiro lugar no Grupo C da qualificação da América do Norte e Central, batendo as Honduras, Costa Rica e Nicarágua.

A primeira e única presença, até agora, foi no Mundial de 1974, onde enfrentaram um grupo bastante difícil: Argentina, Itália e Polónia.

No primeiro jogo da fase de grupos, perderam por 3-1 frente à Itália mas começaram a vencer com um golo de Emmanuel Sanon, aos 46 minutos da partida.

No segundo jogo, uma derrota bastante pesada por 7-0 frente à Polónia eliminou o sonho de seguir em frente na competição.

No último jogo, frente à Argentina, marcaram o seu segundo golo no Mundial mas sofreram uma derrota por 4-1, com dois golos do argentino Héctor Yazalde, antigo avançado do Sporting.

Qualificação Histórica

A qualificação para o Mundial de 2026 tem uma particularidade bastante interessante (e triste).

O selecionador, Sébastien Migné, nunca conseguiu entrar no país desde que assumiu o cargo, em 2024.

O país está dominado por gangues violentos que, estima-se, mataram mais de 16 mil pessoas nos últimos 3 anos.

O Haiti, portanto, nunca jogou em “casa”, jogando os jogos da fase de grupos de apuramento para o Mundial2026 em Curaçao, a pouco mais de 800km.

Em entrevista à BBC, Sébastien Migné, aquando da sua contratação em 2024, revelou que “é difícil, porque é impossível ir ao Haiti descobrir novos talentos e ter plena confiança nos treinadores locais para me darem todas as informações”.

O técnico francês admitiu ainda que tentou “convencer um jogador a vir conosco para as próximas partidas. Precisávamos de documentos administrativos, mas todas as embaixadas estão fechadas no país”, demonstrando os contratempos vividos na gestão do Haiti.

O treinador, agora herói do país, revelou, em 2024, que acreditava no projeto e que podiam criar uma grande surpresa na qualificação para o Mundial, principalmente pelos Estados Unidos, Canadá e México já se terem qualificado por serem anfitriões da competição.

Já numa entrevista recente à BBC Sports, admitiu que “normalmente moro nos países onde trabalho, mas não posso aqui. Não há mais voos internacionais a aterrar lá”, acrescentando que “gerenciei a equipa remotamente”.

Outra curiosidade desta equipa do Haiti é que todos os jogadores que compõe a seleção não jogam no país, sendo, a maior parte, nascido na frança, como Jean Bellegarde, do Wolves.

Terramoto 2010

O Haiti sofreu, em 2010, um terramoto de 7.0 na escala de Richter, que vitimou mais de 300 mil pessoas.

As condições precárias agravaram-se muito devido a esta tragédia, o que, consequentemente, afetou também o futebol no país.

A sede da Federação Haitiana de Futebol foi completamente destruída, o que causou a morte de 19 funcionários.

Após o terramoto, contabilizou-se que cerca de 32 membros da Federação, incluindo jogadores e treinadores foram mortos na tragédia natural.

Apesar disso, e com a ajuda da FIFA, da ONU e dos países vizinhos, o futebol no Haiti reconstruiu-se aos poucos e conseguiu alcançar grandes feitos, culminando na tão sonhada presença no Mundial2026.

Confira aqui tudo sobre a competição.

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