Europeu-2020: Portugal andou sempre atrás da Ucrânia e apurou-se no último 'suspiro'
A seleção portuguesa de futebol teve de fazer face à caminhada invicta e dominadora da Ucrânia no grupo de qualificação para o Euro2020, acabando por garantir a presença na fase final da competição apenas na derradeira jornada.
À partida para a fase de apuramento, Portugal surgia como favorito à conquista do primeiro posto do Grupo B, embora sabendo de antemão que encontraria oposição de respeito nos ucranianos e na Sérvia, ao contrário do que sucederia com Luxemburgo e Lituânia.
Num apuramento decidido em oito meses, entre março e novembro de 2019, a equipa comandada por Fernando Santos teve logo dois deslizes a abrir, ambos em casa, e precisamente diante dos principais adversários.
Portugal arrancou a qualificação com um ‘nulo’ (0-0) diante da Ucrânia, no Estádio da Luz, e, três dias volvidos, no mesmo reduto, cedeu um empate 1-1 com a Sérvia, numa partida na qual Dusan Tadic adiantou os visitantes, de grande penalidade, mas Danilo Pereira restabeleceu a igualdade com um grande pontapé de fora da área.
Com um triunfo no Luxemburgo, a Ucrânia assumiu a liderança do grupo logo à segunda jornada e, em junho, dilatou a vantagem no topo da classificação com uma goleada sobre os sérvios (5-0) e uma vitória na receção aos luxemburgueses.
Por essa altura, Portugal ocupava o terceiro posto, a oito pontos do líder e a dois da Sérvia, mas com menos jogos do que ambos, conseguindo ultrapassar os sérvios em setembro de 2019, com um triunfo categórico por 4-2 em Belgrado.
William Carvalho, Gonçalo Guedes, Cristiano Ronaldo e Bernardo Silva assinaram os tentos que catapultaram Portugal para a primeira vitória no Grupo B, no mesmo dia em que a Ucrânia superava a Lituânia e mantinha a distância pontual para a seleção lusa.
Ao quarto jogo de qualificação, o ‘capitão’ Cristiano Ronaldo emergiu, finalmente, do quase anonimato a que esteve remetido no arranque e anotou quatro golos na goleada sobre a Lituânia (5-1), que foi sentenciada com um tento de William.
Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo e Gonçalo Guedes construíram a terceira vitória seguida no Grupo B, diante do Luxemburgo (3-0), permitindo que, em vésperas da visita a Kiev, Portugal consolidasse a segunda posição, a cinco pontos da Ucrânia e com mais quatro do que a Sérvia.
Contudo, a formação liderada pelo antigo avançado Andriy Shevchenko revelou-se superior à seleção nacional (2-1) e assegurou o primeiro lugar do grupo, de nada valendo a Portugal a grande penalidade convertida por Ronaldo, face aos golos de Yaremchuk e Yarmolenko, que ditaram a única derrota nacional no apuramento.
Com duas partidas por disputar, a equipa das ‘quinas’ não só perdia a possibilidade de se manter na luta pela liderança, como via a Sérvia ficar a um ponto de distância e relançar o duelo pelo segundo lugar, que dava o acesso direto à fase final.
Tendo em conta que nenhuma das seleções cedeu no jogo seguinte, com Portugal a golear a Lituânia por 6-0, no Algarve – com um ‘hat-trick’ de Ronaldo e golos de Pizzi, Gonçalo Paciência e Bernardo Silva –, e a Sérvia a bater o Luxemburgo por 3-2, as decisões ficaram adiadas para a derradeira jornada, na qual Portugal teria de fazer melhor do que os sérvios. E fê-lo.
No ‘lamaçal’ da Cidade do Luxemburgo, Bruno Fernandes e Cristiano Ronaldo garantiram o triunfo por 2-0, ao mesmo tempo que a Sérvia concedia um golo ‘fora de horas’ e empatava com a líder Ucrânia (2-2), sendo relegada para os ‘play-offs’, dos quais não passou.
Estava, assim, ‘carimbada’ a sétima presença seguida de Portugal num campeonato da Europa, poucos meses antes de a pandemia de covid-19 ‘parar’ o mundo e adiar a fase final do Euro2020 para 2021.
Portugal, que é o detentor do troféu, integra o Grupo F, juntamente com Hungria, Alemanha e França, tendo estreia marcada na competição para 15 de junho, diante dos húngaros, em Budapeste, antes de defrontar os germânicos, em 19, em Munique, e os franceses, em 23, novamente na capital magiar.
O Euro2020, que foi adiado para este ano devido à pandemia de covid-19, realiza-se em 11 cidades de 11 países diferentes, entre 11 de junho e 11 de julho.