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Covid-19: Sindicato denuncia que jornalistas estão a ser intimidados na Venezuela

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O Sindicado dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) da Venezuela denunciou hoje que vários jornalistas foram intimidados pelas autoridades depois de divulgarem informação relacionada com casos suspeitos do novo coronavírus no país.
Covid-19: Sindicato denuncia que jornalistas estão a ser intimidados na Venezuela

“O SNTP alerta para a intenção (do regime de Maduro) deliberada de impor o silêncio através do medo e da intimidação”, explica o sindicado na sua conta do Twitter.

Segundo o SNTP, vários jornalistas foram gravados pelas forças de segurança quando faziam entrevistas. Foram detidos, citados para interrogatório e alvo de processos em tribunais.

O último caso aconteceu na terça-feira, com a diretora do jornal “La Verdad de Vargas”, Beatriz Rodríguez. A polícia levou-a da sua casa depois de o diário ter avançado a notícia de que uma enfermeira local estava infetada com o novo coronavírus.

“Insistiram que ela revelasse a fonte da informação que foi publicada sobre os casos de coronavírus. Ninguém pode obrigar um jornalista a revelar a sua fonte, é um direito constitucional. Protestámos contra estas ações intimidadoras e protestámos que a jornalista esteja impedida de falar publicamente sobre o caso”, explica o SNTP.

A jornalista prestou declarações e já está em liberdade.

Segundo o SNTP, foi detido também o jornalista Darvinson Rojas, acusado de instigar ao ódio e de instigação pública a cometer delito, “por informar sobre a covid-19 na Venezuela”.

Este jornalista independente, que trabalha para vários órgãos de comunicação social, foi detido a 20 de março por funcionários das Forças de Ações Especiais da Polícia Nacional Bolivariana (FAES) que chegaram à sua residência, em Caricuao, Caracas, dizendo ter recebido uma denúncia anónima de que aí havia alguém infetado por covid-19.

A detenção teve lugar depois de o jornalista escrever no Twitter que “os 'chavistas' incomodam-se se publicamos números que eles tentam esconder”.

Por outro lado, a 24 de março, a jornalista Rosalí Hernández foi “assediada” por funcionários das FAES, quando gravava um vídeo em Cátia (oeste de Caracas). Foi detida e obrigada a apagar o material gravado.

A 13 de março último, o jornalista Melquíades Ávila foi detido depois de denunciar que o Hospital Luís Razetti de Tucupita (Estado de Delta Macauro, sul da Venezuela) não tinha as condições necessárias para diagnosticar o novo coronavírus, apesar de aparecer oficialmente como apto.

O jornalista, que terá falado com vários médicos, denunciou que o hospital não tinha monitores de pressão arterial, nem seringas, nem os reagentes para as análiuses que permitem diagnosticar a covid-19.

A governadora local, Lizeta Hernández, dirigente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo) acusou o jornalista, através de um programa radiofónico, de “incitar ao ódio” e pediu que fosse citado para que recebesse “uma classe magistral do que significa a consciência”.

Nesse mesmo dia, dois jornalistas, Jesus Enrique Torres e Jesus Manuel Castillo, da Rádio La Cima, foram detidos em Los Teques (sul de Caracas) por funcionários do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (Antiga Polícia Técnica Judiciária), depois de publicar um vídeo sobre alegados casos suspeitos de covid-19 num hospital local.

Segundo a imprensa local, ambos os jornalistas foram levados a um tribunal e acusados de “delitos contra o Estado”. Foram libertados sob regime de apresentação periódica nas autoridades e obrigados a gravar um outro vídeo, pedindo desculpa por terem divulgado “informação defeituosa”.

A 14 de março foi detido um médico depois de afirmar, em vídeo, que um hospital do Estado de Monágas (sudeste do país) não estava preparado para a covid-19.

Na Venezuela estão oficialmente confirmados 91 casos de pacientes infetados com o novo coronavírus.

A Venezuela está desde 13 de março em “estado de alerta”, o que permite ao executivo decretar “decisões drásticas” para combater a pandemia.

O “estado de alerta” foi decretado por 30 dias, que podem ser prolongados por igual período.

Os voos nacionais e internacionais estão restringidos no país.

Desde 16 de março que os venezuelanos estão em quarentena, estando impedidos de circular livremente entre os vários estados do país.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou perto de 450 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 20.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

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