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Europeu-2020: Ciência deve nortear ambição da UEFA sobre presença de público

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A presença de público em plena pandemia de covid-19 nos estádios do Europeu-2020 de futebol, adiado para o verão, deve ser guiada pela ciência em vez de outros anseios, alertam especialistas de saúde ouvidos pela agência Lusa.
Europeu-2020: Ciência deve nortear ambição da UEFA sobre presença de público

“As decisões têm de ser feitas com base na ciência e não num desejo político ou social. Acho que essa lição foi inequívoca. Não faz sentido fazer uma imposição quando ainda existe um grau de incerteza de como é que as condições epidemiológicas estarão nessa altura. Em princípio, serão favoráveis à presença de assistência”, referiu Pedro Simas.

A UEFA teve hoje de improvisar duas trocas em relação ao lote original de 12 estádios, atendendo à necessidade de antecipar planos de contingência, que definissem as condições de receção de adeptos no evento, previsto de 11 de junho a 11 de julho.

“Julgo que a própria decisão, face à distância que nos separa desse momento, não pode ser impositiva. Dependerá das circunstâncias em que isso venha a acontecer. Todos nós gostaríamos que, por decreto e a partir de uma determinada data, já não houvesse pandemia, mas as coisas não funcionam exatamente assim”, agregou Ricardo Mexia.

Essas alterações de última hora causaram realocações de jogos e aportaram “decisões multifatoriais”, assentes no ritmo de vacinação e nas medidas de desconfinamento em cada país, além da desaceleração dos vírus respiratórios em épocas mais amenas.

“Gostaríamos que a vacinação fosse o mais célere possível, sendo que a União Europeia tem aquela meta dos 70% de vacinados no fim do verão. Até lá, ainda haverá muito que trabalhar e vacinar. Ou seja, não é apenas um fator que deve presidir à tomada de decisão, como a meteorologia, mas todo o contexto”, sustentou o epidemiologista.

Tal como Ricardo Mexia, Pedro Simas sublinha que a quantidade de espetadores será ditada pelas “condições epidemiológicas e sanitárias de saúde pública” nas atuais 11 cidades-sede de 11 países distintos, depois da saída de Dublin (República da Irlanda).

“Se o plano de vacinação europeu estiver em curso e os grupos de risco já estiverem protegidos nestas cidades e países, prevê-se que possa haver um desconfinamento e uma participação segura de espetadores nos estádios. Podem ser pessoas que têm uma imunidade adquirida naturalmente ou outras que estão vacinadas”, vincou o virologista.

O inédito formato descentralizado vai estimular inúmeras viagens de seleções, árbitros, comunicação social ou adeptos durante o torneio, panorama que, de acordo com Ricardo Mexia, “pode ou não aumentar o risco”, dependendo “da circunstância em cada país”.

“Se estiver num contexto de muito baixa incidência, limitar o número de pessoas que chegam ao país e possam estar infetadas é uma medida importante. Ao olharmos para a Nova Zelândia, por exemplo, a estratégia é essa: manter o país o mais seguro possível, exercendo um controlo nos pontos de entrada”, ilustrou o médico de saúde pública.

A apresentação obrigatória de testes laboratoriais negativos ao novo coronavírus nas fronteiras, que podem ser acompanhados ou substituídos em algumas latitudes por atestados de infeção anterior ou certificados de vacinação, são cautelas vantajosas.

“Impedir cidadãos estrangeiros de entrar num país? Reduzir o número de pessoas que circulam pode ajudar a controlar o problema, se a situação num país onde vai decorrer o evento esteja mais controlada. Num cenário em que haja uma elevada incidência, os casos importados podem não fazer assim tanta diferença”, enquadrou Ricardo Mexia.

Perante um vírus que “não distingue entre cidades, países, pessoas, raças ou etnias”, Pedro Simas reconhece que a testagem “não é mágica” e que a aplicação de processos de mitigação do risco tem de ser “proporcionalmente efetiva” ao cenário epidemiológico.

“O mais importante nesta fase nem vai ser o número de infeções nem o índice de transmissibilidade (Rt), mas sim o número de internamentos. Vamos chegar a uma fase em que, tendo os grupos de risco protegidos, mesmo que haja muita infeção na comunidade, isso não se traduz em doença, em internamento e em mortes”, projetou.

Numa época repleta de jogos à porta fechada e restrições ao contacto físico, retrato vulgarizado desde março de 2020, Ricardo Mexia acredita que os planos de contingência destinados à presença de público no Euro2020 criam condições para reduzir riscos.

“O próprio espaço deve assegurar que os circuitos estão perfeitamente identificados e impedir que haja aglomerações. Depois, reduzir ao mínimo o contacto físico com outras estruturas. Estou a pensar na questão dos bilhetes ou dos corrimões. São pequenas coisas que podem ser bastante importantes para controlar o problema”, finalizou.

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