I Liga 2021/22: Manuel Cajuda elogia «bom senso» dos ‘grandes’ a nível técnico

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Os três principais clubes do futebol nacional iniciam a I Liga com os treinadores experimentados na época anterior, cenário inédito em 14 anos e revelador do “bom senso dos dirigentes”, enalteceu o técnico Manuel Cajuda.
I Liga 2021/22: Manuel Cajuda elogia «bom senso» dos ‘grandes’ a nível técnico

“Poderá querer dizer muita coisa. Para mim, a principal é que há bom senso e respeito pelo trabalho dos treinadores e, de certa forma, algum contentamento. A questão económica é importante, porque, às vezes, mudanças implicam gastos desnecessários. Não vejo motivo para que tivesse de haver alterações”, partilhou à agência Lusa o experiente técnico, de 70 anos, com mais de 500 jogos disputados no escalão principal.

Rúben Amorim vai arrancar a segunda temporada seguida no Sporting, que resgatou o estatuto de campeão nacional 19 anos depois, venceu a Taça da Liga e já abriu 2021/22 com a conquista da Supertaça frente ao Sporting de Braga (2-1), ao passo que Sérgio Conceição renovou pelo FC Porto, após ter sido ‘vice’ na I Liga e alcançado os ‘quartos’ da Liga dos Campeões, e Jorge Jesus resistiu a zero títulos no regresso ao Benfica.

“O Sérgio deu vários títulos, principalmente dois campeonatos em quatro anos, mas, acima de tudo, recuperou o FC Porto de uma crise enorme. O Rúben conseguiu fazer aquilo que em 19 anos ninguém fez. O Jorge Jesus tem no currículo estatuto e provas mais do que suficientes para merecer estar no lugar de treinador do Benfica”, avaliou.

Para encontrar estabilidade simultânea nos ‘grandes’ é preciso recuar 14 anos, até 2007, quando Jesualdo Ferreira, campeão pelo FC Porto, Paulo Bento, vencedor da Taça de Portugal pelo Sporting, e o atual selecionador nacional Fernando Santos, então no Benfica, orientaram todos os jogos em 2006/07 e abriram a edição seguinte da I Liga.

“Neste ou em outro campeonato só um é que pode ganhar. Isso não quer dizer que quem fica em segundo ou em terceiro não faça também um excelente trabalho”, defendeu Manuel Cajuda, que nunca trabalhou nos três clubes lusos mais titulados, “claramente favoritos” à conquista da 88.ª edição da I Liga, ainda que numa “ordem arbitrária”.

O experiente treinador sugere como “diferença significativa” relativamente “à temporada passada e aos últimos 19 anos” uma candidatura mais afirmativa dos ‘leões’, que “quase não contavam” na corrida ao título até à “campanha fabulosa” construída em 2020/21.

Como “fator muito importante” na decisão do campeão nacional aparece novamente Sporting de Braga, detentor da Taça de Portugal, que terminou as últimas sete épocas dentro dos cinco primeiros colocados e também conservou o treinador Carlos Carvalhal.

“As coisas ficaram mais difíceis este ano. Em termos de título, o Braga vai ter de lutar contra três equipas bem fortes, embora também diga que o quarto lugar é muito bom. Contudo, com o crescimento enorme que o presidente António Salvador deu, acho que é altura de o clube ambicionar e lutar por mais. Vou ser claro: se o Braga não lutar pela presença na Liga dos Campeões, para mim será uma desilusão”, analisou o algarvio.

Além das duas passagens pelos ‘arsenalistas’ (1994-1997 e 1999-2002), Manuel Cajuda comandou no escalão principal mais 10 clubes, incluindo Marítimo (2003/04) e Vitória de Guimarães (2006-2009), aos quais deseja um regresso imediato às provas europeias.

“O Vitória de Guimarães é obrigatório que lute por isso. Depois, todos os anos há aquela lengalenga de haver quatro ou cinco equipas que podem ambicionar a Europa. Já a outra metade do campeonato, tem a meta de ficar na I Liga e considero isso ridículo. Não é objetivo nenhum, mas sim o mínimo que se pode exigir. Nada há abaixo disso”, frisou.

O técnico projeta Vitória de Guimarães, Famalicão e Boavista a “renderem mais” do que na época passada, após cada qual “ter cometido erros crassos”, ao “destruir o plantel anterior” e agudizar “grandes complicações de automatismos” com quase 20 reforços.

“O nosso futebol precisa de uma competitividade de excelência e não medíocre. Quase metade das equipas da I Liga não fazem mais do que sete/oito vitórias por ano. Acima de tudo, o futebol é jogar para ganhar, sabendo que se pode perder. Nesta altura, a mentalidade do campeonato é jogar para aquele pontinho que é importante”, lamentou.

Admitindo que o mercado de transferências “mantêm-se muito pobrezinho”, num reflexo dos efeitos gerados pela pandemia de covid-19, Manuel Cajuda também acredita numa continuidade quanto às formas de jogar generalizadas na divisão maior do futebol luso.

“Daquilo que observei na pré-época, não vejo que o Benfica tenha melhorado muito em relação aos defeitos do ano passado. O Sporting provavelmente não encontrará muitos defeitos. Se não os trabalhar bem, continuará a ter os que já tinha, enquanto de certeza que vai procurar formas mais evolutivas de jogar. O FC Porto é a mesma coisa”, vincou.

O treinador vê o aspeto físico a colaborar “de forma intensa” com a capacidade tática, ilustrando essa tese com diversos encontros do Euro2020, para considerar que cada sistema tático “é bom”, desde que obedeça às “características do plantel e do modelo”.

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