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Estudo da posição dos futebolistas pode aclarar fases críticas do jogo

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A identificação matemática de padrões comportamentais dos futebolistas com recurso às teorias das redes e da informação pode ajudar a explicar aquilo que se passa em campo, refere a tese de doutoramento de Luís Ramada Pereira.

Estudo da posição dos futebolistas pode aclarar fases críticas do jogo

“Há muito trabalho que interliga a inteligência artificial e a ciência de dados ao futebol. No nosso caso, original é a forma como foi construída uma medida que retrata o dinamismo de um jogo. Além de dizer se está mais ou menos dinâmico num determinado momento, decompõe esse dinamismo por equipa, grupos de jogadores e a nível individual. Penso que este tipo de informação pode ser útil para a análise por parte de quem tem de treinar ou jogar”, notou à agência Lusa o investigador do Instituto Universitário de Lisboa (Iscte).

Intitulado “Comunidades em Redes Temporais: De fundamentos teóricos a aplicações da vida real”, o estudo analisou como evolui a posição de grupos de atletas em campo, na certeza de que a matemática pode ajudar a inovar estratégias de jogo e planos de treino.

“Todos os jogadores têm um papel e a primeira ferramenta que têm à sua disposição é a posição em campo e a relação com colegas de equipa e adversários. Retratar isso num modelo matemático pareceu-nos potencialmente interessante e foi uma razão pela qual escolhemos este tema como área de aplicação prática”, justificou Luís Ramada Pereira.

A investigação apoiou-se na teoria de redes, que veio inicialmente da teoria dos grafos, inventada no século XVIII pelo matemático suíço Leonhard Euler, sendo habitualmente utilizada noutras áreas, como o estudo dos fluxos financeiros ou das cadeias logísticas.

“Realmente, como muitos outros sistemas, o futebol pode ser representado em sentido abstrato por redes. Estas são compostas por um conjunto de nós - os jogadores - e as suas ligações, que, neste trabalho, representam a interação entre atletas”, exemplificou.

Englobada no programa doutoral de Ciências da Complexidade do Iscte, a tese fez uma análise sistemática de nove encontros de um clube da Liga inglesa, cuja identidade é confidencial, entre 2010 e 2011, tendo sido extraída informação com câmaras de vídeo.

“O trabalho baseou-se num conjunto de dados em que é registada 10 vezes por segundo a posição precisa dos atletas em campo. Tudo tem a ver com uma rede de proximidade e a criação desta medida dinâmica, que é analisada sob a perspetiva da distância relativa dos atletas e difere das métricas normais de passes e quilómetros percorridos”, explicou.

O caráter pioneiro do estudo assenta na junção das teorias da informação e das redes para medir o “alto dinamismo” das partidas de futebol a partir da observação automática dos jogadores, que procuram constantes marcações e desmarcações em pleno relvado.

“Quanto mais rápida for a taxa de variação relativa das posições dos jogadores que estão em interação, mais prováveis são os eventos que podem alterar o decorrer do jogo, como acontece em lances de bola parada”, afirma Luís Ramada Pereira, admitindo que a nova métrica separa o “esforço produtivo daquele que é eficazmente anulado pelo adversário”.

O investigador acredita que estas medidas de variação da dinâmica das redes podem ser aplicadas ao estudo de “outros desportos de invasão”, nos quais um terreno de jogo é dividido por duas equipas, que precisam de atacar a metade do adversário para pontuar.

“Existem trabalhos de aplicação da teoria de redes a vários desportos, mas o estudo que desenvolvemos vai ser mais interessante para modalidades que reúnem um significativo número de jogadores em campo, como são os casos do râguebi e do futebol”, ressalvou.

Equacionando incorporar o “esforço do jogador nesta medida” em futuras investigações, Luís Ramada Pereira lembra que a modalidade desportiva mais mediatizada no planeta “não está imune” à evolução tecnológica e científica concretizada nas últimas décadas.

“Há trabalho que não é muito conhecido, mas que penso ser útil. Se as equipas quiserem continuar a ser competitivas, precisam deste tipo de conhecimento a longo prazo. Ainda ninguém encontrou a varinha mágica para ganhar todos os jogos, mas uma coisa é olhar para um lance, um jogo e, depois, olhar para uma época. As épocas têm padrões mais consistentes e para essa consistência contribui este investimento tecnológico e científico que está a ser feito e influencia planos de treino, táticas e estratégias de jogo”, advertiu.

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