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SL Benfica: Também quero comprar um João Neves

Artigo de opinião de Gil Nunes.

SL Benfica: Também quero comprar um João Neves

Neste ponto em específico – aposta destemida nos jovens – há que dar todo o mérito a Schmidt. Na realidade não é qualquer um que, diante do Boavista, coloca um central de 18 anos a jogar: António Silva. E também é de louvar a aposta firme e determinada num jovem médio – João Neves – que apresenta predicados em termos táticos e emocionais ao alcance de poucos. E, claro está, ninguém desponta no ocaso. Só despontou porque houve um técnico alemão que, nesse aspeto, revela qualidades que devem ser ressalvadas. Por aí nada a dizer, muito embora João Neves apresente características especiais. Foco no cardápio dos pormenores. Que, devidamente somados, resultam em colosso.

Nos cantos, até parece estranho ver-se um jogador de 1,73 metros ao segundo poste. E é ainda mais estranho ver-se o mesmo João Neves a bater-se à “gladiador”, corpo a corpo, com tipos com o dobro (passe o exagero) da sua altura. A partir daí entende-se, ou compreende-se, qual a razão para João Neves estar, de facto, ali. É que o rapaz não desiste nem se verga. Nunca. E a vitória frente ao Sporting adveio do seu fator “x”.

Aliás, o golo apontado ao Gil Vicente é uma verdadeira partitura de João Neves. Afinal, tudo é possível: posso enfrentar qualquer jogador no corpo a corpo e, mesmo não ganhando, nada me impede de “comer a relva” e concretizar de trivela logo de seguida. Porque este golo, mais do que uma verdadeira demonstração de abnegação, capitalizou o Benfica em direção a uma vitória tranquila diante de um adversário – Gil Vicente – que tem muita qualidade em posse, sobretudo através de dois esquerdinos – Dominguez e Fujimoto – que tornam tudo mais fácil. E já para não falar de um avançado – Félix Correia – que, devidamente desenvolvido e reavivado, pode resultar num sério caso de ascensão rápida.

Seja como for, o que realmente vale João Neves? Na senda do seu somatório de pormenores, realce para a quebra de um paradigma que pontificava desde o início da temporada: era Kokcu e o outro. Afinal, não é bem assim: muito embora as características de Kokcu e de João Neves sejam muitas vezes compagináveis e dotadas de vários pontos em comum, certo é que o internacional português puxou para si os galões do protagonismo: porque, no fundo, o seu rendimento tem sido muito superior.

Agora, vem à superfície outro atributo essencial: a capacidade que apresenta ao nível da primeira fase de construção, caindo para junto do guarda-redes para iniciar o processo de forma limpa. Tarefa que, naturalmente, não executa sozinho, mas que é de tremenda responsabilidade na medida em que é o recetor efetivo da primeira leva de pressão de um adversário que, regra geral e enfrentando o Benfica, sabe que um dos truques passa por cortar os fios de ligação entre a linha defensiva e a zona intermediária. Para os lados dos encarnados, e para garantir novamente a limpidez do processo, dá um jeito brutal ter Trubin que, ao nível do jogo dos pés, acrescenta uma qualidade que Odysseas não dispunha.

Ainda no dossiê João Neves, chega-se a novo bom porto: capacidade para ganhar duelos e ligar setores, sempre com o equilíbrio da equipa como principal preocupação. Puxando atrás, diante do Famalicão, brilhante a forma como canalizou o jogo para a banda direita e, na passada, percebeu a desmarcação de Rafa por esse mesmo flanco, numa jogada que desembrulhou as contendas de uma partida que se estava a revelar particularmente preocupante.

Depois, claro está, o fator golo. O fator finalização rápida. De pé direito ou esquerdo, sem qualquer tipo de timidez. E, depois do recheado bolo, há sempre espaço para a cereja: assente na atitude que demonstra. Na realidade, não é qualquer um que chega à seleção principal e, no meio de “Ronaldos” e de “Bernardos”, conquista rapidamente o seu espaço quer no imediato quer na previsível convocatória para o europeu.

É certo que o Benfica está longe de ser uma equipa perfeita e, valha a verdade, ainda depende muito das individualidades para sorrir. Também é notório que, no capítulo do somatório do individual, os encarnados dispõem de um capital próprio que não é comparável com nenhum outro clube em Portugal. Por aí, também a responsabilidade acrescida de, em termos de trabalho de consolidação tática, o Benfica não ter tanto caminho para trilhar como o dos seus rivais.

Uma adenda extra para o que seguirá após João Neves. Jovem, com o europeu no horizonte, tem tudo para ser a próxima “big thing” em termos de vendas. E, tal é a sua influência na equipa do Benfica neste momento, deixará uma cratera no miolo. É claro que nem sempre se pode fazer como o Sporting fez na temporada passada, em que o 4º lugar deu margem de manobra para preparar a temporada seguinte. No caso dos encarnados, o futuro é agora. Mas sempre com um sublinhado bem forte: a saída de João Neves é quase inevitável. E a sua permanência entra quase no domínio do delírio.

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