
O Sporting foi goleado por 5-1 pelo Arsenal, no Estádio José Alvalade, em jogo a contar para a quinta jornada da Liga dos Campeões, mas não foi apenas o resultado que chamou a atenção.
Alvalade foi palco do lançamento de foguetes durante a partida, numa situação que não é novidade nos estádios portugueses em jogos das competições europeias.
Desta vez, o lançamento de pirotecnia ocorreu em dois setores distintos do estádio, algo que poderá levar a UEFA a efetivar a pena suspensa de encerramento da zona A14, aplicada anteriormente ao clube.
Carlos Barbosa da Cruz, advogado e colunista do jornal 'Record', não poupou nas palavras e deixou fortes críticas aos adeptos que participaram nos atos de pirotecnia. Em texto de opinião, publicado na referida publicação, o jurista e sócio dos leões apontou para o caráter reincidente destes comportamentos e alertou para as possíveis consequências que o Sporting poderá enfrentar.
"Decorria a primeira parte do jogo do Sporting contra o Arsenal e não havendo mesmo nada a festejar – o Sporting já estava a perder - da curva norte eclodiu um festival de tochas, fumos e foguetório. A UEFA já tinha avisado que a reincidência no uso desses artefactos seria punida com severidade, mas, aparentemente, isso não demoveu os perpetradores. (...) Como é sabido, esta cultura de prevaricação é transversal aos grandes em Portugal", escreveu Carlos Barbosa da Cruz.
O adepto leonino também sublinhou os perigos associados ao uso destes engenhos nos estádios. "Sublinhe-se que, mais do que a violação primária das regras, o uso destes dispositivos é perigoso para a integridade das pessoas, cria uma legítima sensação de insegurança, afasta os espetadores, é mau para os clubes e para o futebol em geral (...)", criticou.
Carlos Barbosa da Cruz apontou ainda para a questão da "afirmação identitária" associada às claques, sublinhando que tais atitudes estão relacionadas com uma tentativa de afirmar quem é o "dono do jogo". "Não é inocentemente que as claques (todas) gritam que 'o clube somos nós'", acrescentou, destacando a relação entre estas manifestações e a perceção de poder por parte dos grupos organizados de adeptos.
Num tom contundente, Barbosa da Cruz acusou ainda a existência de "cumplicidades históricas" na entrada de pirotecnia nos estádios portugueses e apelou a uma fiscalização mais rigorosa para evitar estes atos. "Nada disto é novo, já morreram pessoas, já foi gente para o hospital com queimaduras, já se gastaram rios de dinheiro em multas, já nos desprestigiámos internacionalmente quanto baste, mas o mal persiste. É tempo de olhar para este flagelo com a seriedade e pertinácia que ele exige", afirmou.
O advogado reforçou que, "se os clubes querem valorizar o espetáculo, vender caro a sua bilhética, modernizar os estádios, cativar as famílias, tornar cada jogo uma festa, não podem pactuar com estes comportamentos verdadeiramente cavernícolas, que são o oposto de tudo isso", escreveu.
Carlos Barbosa da Cruz concluiu afirmando que o Sporting não deve hesitar em agir contra os culpados destes atos, mesmo que sejam sócios do clube. "Se estes hooligans forem identificados como sócios do clube, não pode haver contemplações, porque destes, não precisamos".
Recorde-se que a UEFA aplicou uma pena suspensa ao Sporting, ameaçando com o encerramento da zona A14 do Estádio José Alvalade. O lançamento de tochas e foguetes no jogo contra o Arsenal pode agora levar a uma sanção efetiva, que poderia resultar no encerramento de parte do estádio no próximo jogo em casa, frente ao Bolonha, a contar para a Liga dos Campeões.
Este não é um problema exclusivo do Sporting. Ao longo dos anos, outros clubes portugueses têm enfrentado problemas semelhantes com a UEFA, devido ao uso de pirotecnia nos jogos das competições europeias. A continuidade destes comportamentos pode colocar em causa a imagem do futebol português, e os clubes terão de encontrar formas de garantir que este tipo de situação não se repita.