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José Morais foi aposta pessoal de Mourinho em «ano épico» no Inter Milão

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O treinador José Morais foi aposta pessoal de José Mourinho para coadjuvá-lo na despedida do Inter Milão, em 2009/10, vivendo um “ano épico” com os triunfos no campeonato, Taça de Itália e Liga dos Campeões de futebol.
José Morais foi aposta pessoal de Mourinho em «ano épico» no Inter Milão

“Foi um ano difícil, mas feliz, e no qual se ganhou tudo. O grupo tinha muita experiência, mas também jogadores já numa idade de grande maturidade. Além da união entre eles, o presidente Massimo Moratti era uma pessoa extraordinária. Recordo-me de ele ter realizado festas antes do Natal e de reunir praticamente o clube todo numa quinta dele. Olhava o clube como uma parte da sua família”, enquadrou à agência Lusa o treinador.

Atendendo à vontade manifestada por André Villas-Boas, então treinador-adjunto, em iniciar uma carreira de treinador a solo, José Mourinho escolheu José Morais, que conhecera durante a passagem pelo Benfica, para ocupar a vaga e juntar-se ao luso Ricardo Quaresma, num plantel em que brilhavam Júlio César, Lúcio, Javier Zanetti, Walter Samuel, Maicon, Cambiasso, Wesley Sneijder, Samuel Eto'o e Diego Milito.

“O convite foi para ser um dos adjuntos, mas responsável pela área da análise dos adversários. Até fiquei feliz por ter essa possibilidade. Deu-me oportunidade de assistir a muitos jogos de níveis competitivos superiores, conhecer jogadores de várias equipas e ter uma visão do jogo que me permitia criar ideias e cenários que eventualmente viriam a ser úteis para encontrar soluções na organização da nossa própria equipa”, sustentou.

O luso-angolano tinha acabado de se sagrar campeão tunisino pelo Espérance de Tunis, em 2008/09, quando rumou ao Inter Milão, no verão, para incorporar uma equipa técnica que ainda englobava o adjunto Rui Faria e o treinador de guarda-redes Silvino Louro.

“Só tenho coisas positivas a recordar: a capacidade de organização, a liderança, a forma como conduzia um jogo, a energia e o humor no grupo e o cuidado em saber se estava tudo a correr bem. Até nos momentos de maior pressão, aquele modo como relativizava as coisas e nos fazia sentir confiantes quando tínhamos jogos difíceis. Tudo isso acabou por ser uma surpresa. Estando com ele, fui percebendo que dimensão tinha”, contou.

Enquanto André Villas-Boas assinaria pela Académica, então na I Liga portuguesa, em outubro de 2009, os ‘nerazzurri’ caminhavam para a derradeira ‘dobradinha’ da sua história, alcançando o quinto título consecutivo de campeão italiano, o segundo sob comando de José Mourinho, com 82 pontos, dois acima da Roma, segunda colocada.

O Inter Milão também foi o ‘carrasco’ dos ‘giallorossi’ na final da Taça de Itália (1-0) e finalizou a temporada a reeditar as conquistas de 1963/64 e 1964/65 na Liga dos Campeões, graças ao ‘bis’ do argentino Diego Milito na final com os alemães do Bayern Munique (2-0), em pleno Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid, futura casa de ‘Mou’.

Nas três épocas posteriores, o setubalense protagonizaria ao leme do Real Madrid uma rivalidade acesa com o FC Barcelona, de Pep Guardiola, que havia iniciado na meia-final da ‘Champions’ de 2009/10, com uma segunda mão eternizada no imaginário do futebol.

“A imagem que eu tenho é de um jogo intenso, até pela sua envolvência. No caminho do hotel para o estádio, até os batedores da polícia fizeram-nos dar voltas maiores só para chatear e demoraram mais tempo do que deviam. Era uma atmosfera anormalmente agressiva por parte dos adeptos, que sentiam que tinham de se meter connosco fora do campo para nos tentar destabilizar, pois previam um jogo difícil”, recordou José Morais.

Entrando em Camp Nou com uma vantagem de 3-1, o Inter Milão ficou em inferioridade numérica aos 28 minutos, por expulsão com duplo cartão amarelo do ítalo-brasileiro Thiago Motta, mas foi resistindo ao domínio avassalador do campeão europeu vigente e apurou-se para a final, apesar da derrota (1-0), com um golo de Gerard Piqué, aos 84.

“Lembro-me daquele momento em que o Sergio Busquets faz aquele teatro todo e o Thiago é expulso. Tínhamos a expectativa de que poderíamos fazer um golo, mas assim que ficámos com um jogador a menos, a nossa sensação foi que só marcaríamos por milagre. A equipa uniu-se ainda mais, teve enorme capacidade de trabalho e transformou-se num gigante. Chegar à final foi consequência de todas estas vivências”, enalteceu.

José Morais testemunhava o auge de ‘il speciale’ em Itália, uma década depois de se ter cruzado com ele no Benfica, observando “qualquer coisa de diferente a nível de energia, organização e dinâmica” face aos 10 anos passados nas camadas jovens das ‘águias’.

“Notei de diferente o nível da organização do treino. Depois, a forma como transitava em campo de um exercício para outro e a dinâmica que ele imprimia. Associado a isso tudo, era aquela positividade com que liderava todo o processo”, descreveu o luso-angolano.

Assim que abandonou a Luz, em dezembro de 2000, o setubalense foi sondado para ir treinar o Sporting e quis levar o então técnico da equipa B do Benfica para auxiliá-lo na área da condição física dos atletas, mas José Morais transmitiu-lhe que “merecia estar ladeado em início de carreira de alguém com um nível de competência superior ao seu”.

José Mourinho, de 58 anos, vai cumprir o milésimo jogo nos bancos no domingo, na receção da Roma ao Sassuolo, em jogo da terceira jornada da Liga italiana, 21 anos depois da estreia como treinador principal pelo Benfica, em 23 de setembro de 2000.

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